03/11/2021 às 06h48min - Atualizada em 03/11/2021 às 06h48min

"Lifting" para os profetas: limpeza vai rejuvenescer obra de Aleijadinho

Parte do conjunto declarado Patrimônio da Humanidade, esculturas passarão por processo que deve ocorrer a cada cinco anos e já está atrasado há quatro

REDAÇÃO
ESTADO DE MINAS
Congonhas – Bastou o temporal típico da estação passar para os visitantes saírem às ruas e caminhar até o Santuário Basílica Bom Jesus de Matosinhos, patrimônio da humanidade e cartão-postal de Congonhas, conhecida como a Cidade dos Profetas. No adro do templo, o foco principal da admiração: as 12 esculturas em pedra-sabão divinamente criadas por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814), e, agora, com a retomada do turismo no estado, atraindo admiradores de todo canto.
 

Com a chuva forte no início da tarde de uma segunda-feira, os profetas pareciam ter tomado um banho, livrando-se da poeira. Mas a limpeza não veio de forma completa: em braços, cabeças e outras partes das esculturas, os líquens e fungos tomam conta, demandando tratamento especializado, a fim de garantir integridade e beleza do conjunto bicentenário.

A última limpeza dos profetas de Congonhas, com aplicação de um biocida, produto totalmente natural, segundo especialistas, ocorreu em 2012 e deverá se repetir até o fim deste ano. A prefeitura local vai estar à frente do serviço e custeá-lo, conforme entendimento com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo tombamento do conjunto em 1939, e com autorização do reitor do santuário basílica, padre Geraldo Gabriel Pinto. A limpeza, que deve ocorrer de cinco em cinco anos, chega atrasada desta vez, e o cenário preocupa os visitantes.

 

“Recebemos ofício da prefeitura informando sobre a limpeza dos profetas e vamos autorizar. Só está faltando uma reunião na Arquidiocese de Mariana (à qual o santuário é vinculado) para acertar os detalhes”, informou o padre Geraldo. Assessor da Diretoria de Patrimônio Histórico da Prefeitura de Congonhas, o arquiteto Hugo Cordeiro adiantou que o serviço será feito pelo restaurador Antônio Fernando dos Santos, professor universitário e funcionário aposentado do Iphan, também responsável pela última limpeza das esculturas.

Os produtos serão comprados pela Prefeitura de Congonhas, no valor de R$ 11 mil, e Antônio Fernando dos Santos não cobrará pelo serviço. Com o restaurador e professor da Universidade Fumec estarão os biólogos Maria Aparecida de Resende Stoianoff e Douglas Boniek, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com participação de equipe do Iphan, todos em esquema colaborativo.

Restaurador experiente, Antônio Fernando explica que o biocida atua na estrutura dos líquens (simbiose de fungos e algas, de coloração verde) matando-os. “Eles se desenvolvem na superfície da pedra-sabão e se concentram, criando raízes onde há muita umidade”, informa o restaurador. A limpeza não tem caráter apenas estético. “Os líquens causam danos à pedra, fragilizando-a, e produzem corantes que podem dar um tom avermelhado à superfície.”

Segundo a Superintendência do Iphan em Minas, vários métodos de limpeza de micro-organismos contaminantes da superfície das pedras dos monumentos históricos de Minas foram pesquisados, entre eles o uso de diferentes biocidas, sendo testados também vários para remoção dos líquens das esculturas. Em nota, a direção da autarquia federal esclarece: “O produto que apresentou melhor resultado na limpeza, e que será novamente usado, é o para-hidroxibenzoato de etila, que promove a remoção dos líquens sem afetar a estrutura da pedra.

Outras nomenclaturas encontradas para a fórmula são: p-hidroxibenzoato de etila, 4-hidroxibenzoato de etila, etilparabeno e Asseptin A. A frequência de aplicações é em média a cada cinco anos ou conforme a demanda do conjunto, pois a proliferação de líquens é irregular e nem sempre ocorre com a mesma velocidade e constância. As esculturas são monitoradas ao longo do tempo e acompanhadas pelo escritório técnico do Iphan em Congonhas.”

Ainda segundo a nota, “cabe destacar que a responsabilidade sobre a preservação do patrimônio cultural, incluindo os declarados como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), é descentralizada, compartilhada e participativa, sendo descrita, no artigo 23 da Constituição Federal de 1988, como competência comum da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Assim, a Prefeitura de Congonhas assumiu o procedimento de aplicação de biocida nos profetas de Aleijadinho do Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, com acompanhamento técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional”.


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