27/07/2021 às 08h41min - Atualizada em 27/07/2021 às 08h41min

Demanda para tratar doenças respiratórias cresce 88% em BH

Até junho deste ano, foram 206,6 mil atendimentos em postos, ante 109,6 mil no mesmo período de 2020

REDAÇÃO
O TEMPO
Na porta do Hospital Infantil João Paulo II, em Belo Horizonte, a microempresária Anabel Mascarenhas, de 20 anos, aguardava o carro de aplicativo ontem para ir embora com o pequeno João Miguel, de 2 anos, após uma consulta devido à bronquite asmática.

“Tempo seco, frio, bateu um ventinho, e ele já começa a piorar”, diz a jovem, apenas mais uma entre as mais de mil pessoas que procuram as unidades de saúde da capital diariamente por causa de doenças respiratórias.

De janeiro a junho deste ano, foram 206.646 atendimentos em centros de saúde de BH, um aumento de 88% em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 109.699 registros. Só neste mês, até ontem, foram 19.081 casos, média de 1.004 por dia.

A procura tende ainda a aumentar nos próximos dias devido à massa de ar seco, que deixa o índice de umidade relativa do ar abaixo de 30% na capital até a próxima quinta-feira, conforme alerta emitido ontem pela Defesa Civil. 
 
“Quando a gente fala em umidade relativa do ar, falamos do conteúdo de vapor d’água na atmosfera, que varia de 0 a 100. Cem por cento seria você estar em um nevoeiro, e, geralmente, o deserto tem umidade relativa do ar entre 10% e 12%. O ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde, é acima de 60%”, explicou o meteorologista Ruibran dos Reis.

Agravante

Com o tempo seco, as doenças respiratórias se tornam mais frequentes, principalmente em crianças e idosos. “As crianças têm um sistema imunológico ainda não formado e uma anatomia que favorece quadros mais graves. E os idosos têm uma imunidade mais debilitada por conta da idade”, pontuou a pneumologista pediátrica e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lais Meirelles Nicoliello Vieira. “Doenças respiratórias são aquelas que vão acometer o trato respiratório, desde a via aérea alta (narinas, faringes) até os pulmões (os brônquios, bronquíolos e alvéolos)”, detalhou Lais.
 
Outro agravante é que o tempo seco favorece a propagação de vírus, como o coronavírus. A pneumologista alerta que, em tempos de pandemia, é necessário ficar atento e procurar atendimento médico. “Não dá mais para saber quem está resfriado com algum vírus de antigamente ou com a Covid. Qualquer paciente que tenha esses sintomas respiratórios pode ter contraído Covid e deve ter atendimento médico, nem que seja online”, completou a médica.

João Miguel teve o diagnóstico de bronquite no hospital e pôde ir para casa, mas a mãe foi orientada a voltar ao médico em caso de piora. “É horrível ver o bebê assim, a gente chora junto. Ele dorme, e eu não consigo dormir”, concluiu Anabel. 

Secretaria diz que faz vigilância para detectar vírus

De janeiro de 2021 até ontem, 1.557 pessoas firam internadas por causa de doenças respiratórias em BH, conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA). O órgão não informou o índice do ano passado, mas diz que realiza a vigilância dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nos hospitais e nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) para monitorar o estado de saúde dos pacientes e também o vírus predominante em cada inverno.
 
“Esses dados servem para orientar a assistência prestada aos pacientes, assim como também a elaboração das vacinas”, declarou a pasta. A secretaria informou ainda que, com o início da pandemia, foi necessária uma reorganização dos fluxos de atendimento dentro das unidades.

“Vem sendo realizado manejos adequados dos usuários para diminuir o risco de transmissão de Covid-19 e demais síndromes respiratórias ou até mesmo o agravo dos pacientes”, completou o órgão, em nota.

A comerciante Luana Patrícia dos Santos Ferreira, 28, conta que teve o filho de 6 anos internado há quatro meses com crise asmática. “Ele ficou quatro dias internado e, agora, precisa fazer tratamento com pneumologista. Com o tempo seco, aumenta a preocupação: não deixo ficar na rua por causa da poeira e guardo os brinquedos de pelúcia e as cortinas da casa”, afirmou Luana.
 
Doenças respiratórias em alta
 
Número de atendimentos em centros de saúde de BH
 
JANEIRO a JUNHO de 2020: 109. 699
JANEIRO a JUNHO de 2021: 206.646
Aumento de 88% 
 
JULHO DE 2021 (até dia 19): 19.081 atendimentos
*Média de 1.004 atendimentos/dia
 
Número de internações por doenças respiratórias 

De janeiro de 2021 até ontem: 1.557
 
Saiba como não ficar doente
 
Evite locais aglomerados e fechados.
 
Lave bem as mãos com água e sabão e use álcool em gel.
 
Lave o nariz com o soro fisiológico, duas vezes ao dia.
 
Evite usar ar condicionado, que pode ressecar a vias áreas e piorar algumas doenças, como a rinite. 
 
Hidrate-se durante o dia.
 
Prefira alimentos leves e frescos, como saladas, frutas, carnes grelhadas.
Evite atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre às 10h e 17h.
Evite banhos com água quente para não potencializar o ressecamento da pele, se necessário use hidratante.
Fontes: Defesa Civil de Belo Horizonte e Lais Meirelles Nicoliello Vieira, pneumologista pediátrica e professora da UFMG

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
visitas

245321

views

677083

A pandemia de covid-19 colocou o mundo diante de um dilema: com o número de casos explodindo e um estoque limitado de doses de vacinas, quem deve ser imunizado primeiro?

36.6%
63.4%
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp