26/04/2021 às 09h12min - Atualizada em 26/04/2021 às 09h12min

Saiba diferenciar os sintomas de gripe e resfriado com os da Covid

Resfriado, gripe e Covid-19 são doenças se caracterizam por uma infecção do trato respiratório, mas possuem diferentes agentes causadores

REDAÇÃO
J15MNEWS
Em tempos de coronavírus, qualquer tosse, espirro ou dor de cabeça se tornam automaticamente um alerta para Covid-19. A chegada de tempos mais frios, no entanto, aumenta a circulação de vírus causadores de gripes e resfriados, quadros cujos sintomas podem ser facilmente confundidos com a doença que vem sobrecarregando o sistema de saúde brasileiro.
 

Resfriado, gripe e Covid-19 são doenças se caracterizam por uma infecção do trato respiratório, mas possuem diferentes agentes causadores. O SARS-CoV-2, da família dos coronavírus, é o responsável pela Covid-19, enquanto os vírus influenza causam os quadros de gripe.


Diferentes cepas (tipos) de vírus influenza circulam ano a ano. "O influenza que afeta o ser humano é do tipo A e B, sendo que dentro do A, há o influenza A, que foi o que causou a pandemia de 2009", explica Daniel Wagner, infectologista do Hospital Santa Catarina.
O resfriado, por sua vez, pode ser causado por diferentes vírus, sendo que o mais comum deles é o rinovírus.


"Todos afetam o trato respiratório, mas alguns deles podem gerar doenças multissistêmicas. Sabemos que a Covid-19, embora seja rotulada como doença respiratória, é uma doença multissistêmica, com envolvimento de vários órgãos", complementa Wagner. Segundo o médico, a gripe também pode ser multissistêmica em casos mais graves, ainda que o quadro respiratório seja dominante.


"Já o resfriado comum é uma doença cujos sintomas são tipicamente respiratórios e de vias aéreas superiores, como coriza, obstrução nasal, dor de garganta, às vezes uma tosse seca e, na pior das hipóteses, um mal estar geral", diz o infectologista.
Os sintomas de resfriado ficam restritos ao nariz e a faringe, o que é um ponto importante na diferenciação dos quadros respiratórios. Espirros, nariz entupido e coriza são extremamente comuns nos resfriados, enquanto aparecem com menor frequência na gripe e na Covid-19.


Febre, cansaço e tosse, por sua vez, são sintomas mais presentes na gripe e na Covid-19. O risco maior de falta de ar se encontra no quadro causado pelo coronavírus, já que significa que os pulmões estão comprometidos.


A falta de olfato e paladar é um dos sintomas que permite identificar a Covid-19 mais facilmente, já que é muito marcante e raro nos quadros de gripe e resfriado. No entanto, no geral, os sinais são extremamente parecidos.


"Em tempos onde a gente tem muito SARS-CoV- 2 circulando, com uma variante de alta transmissão, todo sintoma respiratório, mesmo que leve, deve ser considerado e investigado como suspeita de Covid, exigindo isolamento da pessoa que está com sintomas e de seus contatos", explica Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
A médica reforça a importância da utilização de máscaras bem confeccionadas no combate à Covid-19 e do isolamento em caso de sintomas respiratórios. "Mesmo os vacinados devem continuar seguindo as instruções", complementa.


Vacina contra a gripe é essencial em tempos de pandemia A 23° Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou no dia 12 de abril e vai até 9 de julho. Médicos reforçam a importância da vacina contra a gripe como um recurso para evitar adoecimentos que levam à sobrecarga do sistema de saúde, além dos quadros que podem ser confundidos com o da Covid-19.


"Tomamos a vacina nesse período de campanha em abril para que, no período de maior circulação viral, que são os períodos mais frios, a gente tenha proteção suficiente", explica Daniel Wagner, infectologista do Hospital Santa Catarina.


A rede pública oferecerá doses da vacina influenza trivalente, produzida pelo Instituto Butantan, para imunização do público-alvo da campanha, que inclui gestantes, crianças, trabalhadores da saúde, professores, idosos, povos indígenas, entre outros. A vacina trivalente fornece proteção contra dois vírus do tipo influenza A e um influenza do tipo B.


"A proteção da vacina da gripe é de 9 a 12 meses, então, esse é um dos motivos pelos quais temos que nos vacinar todo ano. Outro motivo é que a vacina da gripe é feita de acordo com os vírus que estão circulando. Logo, a composição da vacina muda de um ano para o outro", diz Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.


No caso de coincidência do cronograma de vacinação contra a gripe e contra a Covid-19, médicos aconselham que se priorize a vacina da Covid-19. A recomendação é de que haja um intervalo mínimo de 14 dias entre as duas vacinas.

SAIBA MAIS
RESFRIADO, GRIPE OU COVID-19O resfriado, a gripe e a Covid-19 são três doenças que causam infecção do trato respiratório e que se assemelham muito nos sinais e sintomas.Resfriado: causado por vários vírus, sendo o mais comum deles o rinovírus.
Principais sintomas:
Coriza
Obstrução nasal (nariz enrupido)
Espirros
Tosse seca
Dor de garganta
Mal estarGripe: causada pelo vírus influenza (tipo A e tipo B são os responsáveis por epidemias sazonais).
Principais sintomas:
Febre
Dor de garganta
Tosse
Dor no corpo
Dor de cabeça
Mal estarCovid-19: causada pelo vírus SARS-CoV-2.
Principais sintomas:
Tosse
Dor de garganta
Perda de olfato e paladar
Febre
Diarreia
Dor no corpo
Dor de cabeça
Fadiga/cansaço
Falta de ar
Mal estarNo atual momento da pandemia, qualquer sintoma de resfriado ou gripe é considerado suspeita de COVID-19 e o paciente deve ficar imediatamente em isolamento, procurando atendimento médico por consulta presencial ou por teleconsulta.Vacinação contra a gripe
Por que é preciso se vacinar todo ano contra a gripe? Como os vírus da gripe têm diferentes mutações e varientes, é necessário o desenvolvimento a cada ano de novas vacinas específicas para a cepa (tipo) do vírus que está circulando.Há dois tipos de vacina contra a gripe oferecidos:


Trivalente: protege contra dois vírus do tipo influenza A e um influenza do tipo B e está disponível na rede pública e particular de saúde.


Quadrivalente: protege contra dois vírus do tipo influenza A e dois influenza do tipo B e está disponível somente na rede particular.
O vírus influenza B tem menor circulação do que o A e a proteção oferecida por ambas as vacinas é válida.


Caso haja coincidência do cronograma de vacinação contra a gripe e da Covid-19, é aconselhado que se priorize a vacina da Covid-19. É recomendado que haja um intervalo mínimo de 14 dias entre as duas vacinas.


Para pessoas que tiveram Covid-19, a recomendação é aguardar cerca de um mês após o início dos sintomas (ou o resultado de PCR positivo, em casos assintomáticos) para tomar a vacina da gripe.Fontes: Daniel Wagner, infectologista do Hospital Santa Catarina; Raquel Stucchi, infectologista, professora da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia; Organização Mundial da Saúde; Ministério da Saúde.


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