31/03/2021 às 14h19min - Atualizada em 31/03/2021 às 14h19min

Privatização do sistema de saúde

J15MNEWS
É fato recorrente descasos no Sistema Único de Saúde (SUS) e/ou incapacidade
estrutural/insumos em todo país. O nosso sistema nacional de saúde só é eficaz na teoria. Na prática, ele é pesado, lento e descaradamente corrompível. Pode não ser na sua cidade, ou na sua história. Mas no contexto nacional é um fato.

        Nos Estados Unidos a saúde pública não chega aos pés da nossa. Já a privada,
está anos-luz à frente da nossa. Há prós e contras nessa realidade. Vamos refletir um pouco sobre elas.

        Você certamente já ouviu falar na expressão “casa da mãe Joana”. Essa expressão que caracteriza um local onde não há ordem, onde as pessoas fazem o que querem sem penalizações, chegam e saem quando querem, não prestam contas, são irresponsáveis com o bem-estar e/ou material do próximo, não cuidam da estrutura... E ainda querem tudo do bom e do melhor. São os chamados “folgados”. Esse dito popular é o nosso SUS.

        Nele vemos tudo de mais decepcionante que possa existir. Roubo, furto, desvio, peculato, apropriação indébita, nepotismo, prevaricação, improbidade administrativa... Em fim, tudo que há de ilegal que possa se enquadrar.

        Esse é o lado negativo de se ter um sistema tão crucial para a vida humana, literalmente, sob o controle da política. Que, volta e meia, cai nas mãos de corruptos. E, que se bem articulado o esquema for, fica muito difícil de condenar todos os envolvidos. Quando temos sorte, condena-se um ou outro. E que não fica muito tempo preso.

        Mas como tudo na vida tem o seu lado positivo, inclusive a morte, que pode vir para aliviar um ser do sofrimento, amos falar deles.

        Se você não teve essa oportunidade, tente se por no lugar dessa pessoa. Verá a maravilha que é ter uma estrutura tão poderosa e vital em suas mãos. Se imagine um político, desses de estirpe deturbada. O quanto à saúde serviria de moeda de troca para você? E não digo no bom sentido. Que é fazer constantemente grandes avanços, desenvolvimentos, ampliações... Abraçar mais a população. Eu digo no sentido de por um parente de primeiro grau para fazer marcação de consultas e essa pessoa usar de seu cargo para alavancar determinado político. Prejudicando assim a ordem correta de atendimento, deturbando a população no que se refere a certo e errado e, entre outras várias complicações dessa prática.

        São tantas as mazelas dessa atual realidade que não cabe em uma coluna, que sá em um livro. É assunto para uma vida inteira. Mas voltemos ao favorável de se ter um sistema público dessa magnitude. Temos também, os políticos que fazem tratamentos sem limite de gastos, na iniciativa privada, e, manda a conta para onde? Isso mesmo, você acertou. Para “casa da mãe Joana”. Um caso absurdo e, que nem deve ser dos piores, é o de um deputado federal que gastou 157 mil em tratamento dentário, enquanto a população mal tem condições de ter uma prótese. E quem dera um tratamento para não os perdes.

        Mas voltemos para o âmbito municipal. Pense se não é bom. A prefeitura alugar um hotel para leitos de emergência, bem no início da pandemia, sem justificativa técnica alguma, desperdiçando milhares de reais, pois ainda não tinha nenhum caso que exigisse tal ação, o que não é o caso de hoje, que tem a necessidade, mas não tem os leitos, e ter tido ZERO atendido. É ou não é bom demais? Pena que não é todo mundo que é dono de hotel.

        Sem falar nos funcionários fantasmas. O médico que bate ponto e vai para a academia, que vai bater ponto em outra cidade, que volta para casa, ou nem sai dela e manda outra pessoa bater o cartão. Que não faz nada, não atende direito, que da dipirona até para fratura exposta. Que responde virose para tudo. Que está agendado para as 08h00min e chegam as 11h00min. Isso quando chega. Bom demais não é? Pena que não é todo mundo que é médico.

        Agora responda para você mesmo/a. Isso aconteceria na iniciativa privada? O que aconteceria se você faltar um dia de serviço? O que aconteceria se você fosse pego roubando a empresa onde trabalha? O que aconteceria se você batesse ponto e fosse se divertir ou trabalhar em outro lugar? Na melhor das hipóteses você seria demitido.

        O que mantém esse sistema ainda tão forte é o fator “atendimento grátis”. Um grátis que sai caro. Você não paga, mas também não leva. Se a iniciativa privada fosse mais fomentada o custo de ser atendido seria menor, pois haveria mais concorrência.

        Não quero dizer também que se deva acabar com o SUS. Quero dizer ser preciso reserva-lo a casos críticos, de custos de tratamento impossíveis para o cidadão, de urgências e emergências, que depois, o cidadão é encaminhado para seu convênio. Não como é hoje, que você pode ser atendido por estar apenas gripado, dificultando o atendimento do verdadeiramente necessário. Se mais pessoas usassem os planos de saúde, eles seriam mais em conta e o atendimento seria padrão comércio, “pagou, levou”.

        Mas o difícil é convencer o médico/corrupto a não querer trabalhar pouco e ganhar muito. E ao político/corrupto a não usar da máquina pública em benefício próprio.
        Está aí uma porta de entrada para essa linha de raciocínio de “prós e contras” do SUS x Iniciativa Privada. Por que esmiuçar os detalhes é complexo e desnecessário. Basta ter bom senso.

Até semana que vem.

Fabrício Barbosa Valadares. Ouro Branco – Minas Gerais. 31/03/2021.
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