09/02/2021 às 07h55min - Atualizada em 09/02/2021 às 07h50min

​Você e o espelho

Por Gláucia Menezes Paiva

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Gláucia Menezes Paiva - Gláucia Menezes Paiva

 Você já se viu hoje?

Não estou falando de olhar no espelho pelo hábito diário de “ver”, no automático, como fazemos todos os dias pela manhã.
Talvez olhar para nós seja um dos exercícios mais complexos, porque durante toda a vida nos foi ensinado que devemos dar atenção apenas ao que os outros são capazes de “ver”:
“Você já tomou banho? Porque ninguém aguenta ficar perto de gente com mau cheiro. ”
“Você já escovou os dentes? Porque ninguém é obrigado a sentir esse “bafo””.
“Nossa como você está gordo (a). Ninguém vai querer namorar você desse jeito. ”
“Vai arrumar esse cabelo. O povo vai pensar que você é doido (a). “
“Vai trocar essa roupa. O que as pessoas vão pensar? “...

Essa busca incansável pela aprovação, nos tira o prazer de identificar e reconhecer o “EU”.
O meu banho precisa ser tomado, os dentes escovados e meu corpo saudável, não porque posso incomodar alguém, mas sim porque esse é o meu templo sagrado, é nele que eu habito. Ele precisa ser cuidado, amado e respeitado, assim como muitas vezes eu faço pelo outro.
Nós propomos a cuidar do outro de tal maneira que fazemos uma coisa muito perigosa, esquecemo-nos e colocamos “esse outro” como algo mais valioso do a nossa própria existência.

O interessante é que em todo treinamento ou orientação de segurança a regra básica é: Para salvar alguém é necessário que você se certifique de que esteja em segurança e seja capaz de salvar você primeiro.

Mas estamos em segurança quando decidimos que a opinião da outra pessoa é o que vai dirigir nossa vida?
Estamos em segurança, quando damos ao outro a responsabilidade de escolher como vamos nos vestir ou o que vamos comer?
Estamos seguros quando damos ao outro a responsabilidade pela nossa felicidade ou nos responsabilizamos pela felicidade alheia?
Prometer que você a fará a pessoa mais feliz do mundo, chega a ser um ato egoísta e até desumano. Porque muitas vezes não somos capazes de atender a essa expectativa, e por mais que façamos, por mais que nos esforcemos, corremos o risco de nunca chegar ao “ideal” para o outro. E acabamos nos submetendo a relações tóxicas por não saber como nos manter em segurança e nos “salvar” primeiro.

Quando Sócrates nos provoca com a reflexão “Conhece-te a ti mesmo” ele nos leva a famosa pergunta: “Quem sou eu”.
Em entrevistas de emprego, perguntas aparentemente simples como: Cite 3 pontos positivos e 3 pontos negativos a seu respeito, ou como você se define? Chega a ser desconfortável, pois, estamos tão acostumados a ser o que o outro espera, que muitas vezes não sabemos responder.

Todas às vezes que faço essas perguntas a meus alunos a grande maioria diz que não sabe o que responder. E tenho certeza que isso não é uma pergunta que apenas jovens tenham dificuldade na resposta.

Quero hoje então te desafiar: Pare na frente do espelho e se olhe, tenha a coragem de permanecer por mais alguns instantes, e se olhe bem no fundo dos olhos e busque dentro de você a pessoa incrível que eu tenho certeza que é. Identifique quais são suas qualidades, celebre suas conquistas, de risada das suas “mancadas”, reconheça seus erros.

Olhe para você com amor, admiração, com compaixão e orgulho, afinal só você sabe o que passou para chegar aí onde você está nesse exato momento, não é mesmo? Perdoe-se, afinal errar faz parte do processo de aprendizagem e crescimento.

Quando você se deparar com algo interno que você não gosta, que você se envergonha ou não queira mais ser, não se culpe ou se diminua, apenas pense em como você pode fazer para ser diferente e tente fazer, porque o “não consigo é a desculpa para os que não tentam. ”

E é verdade quando muitas vezes você diz ou pensa “ninguém me entende”. Não mesmo, as pessoas não vão entender o que você não sabe explicar, e é exatamente isso que você está fazendo agora, tentando entender quem você é, e onde você quer chegar.

Talvez você chore, e não há nada de errado nisso, se permita externar o que está preso aí e te impede de ser quem você nasceu para ser: Uma pessoa feliz.
Pode ser que não consiga chegar a essa mudança sozinho (a), então busque ajuda, conecte com suas crenças espirituais, procure pessoas ou profissionais que vão te ajudar a chegar nesse lugar onde você deseja, mas nunca desista de VER, CONHECER, ADMIRAR E AMAR a pessoa mais importante de sua vida: VOCÊ!
 
E aí, gostou do nosso papo de hoje? Escreva sua opinião, terei muito prazer em responder!
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